Como as mudanças legais de 2026 estão redesenhando a gestão de pessoas

O ano de 2026 estabelece um ponto de inflexão decisivo para as empresas brasileiras. Isso ocorre porque as recentes mudanças legais transformam profundamente a gestão de pessoas. Anteriormente, os técnicos apenas discutiam reformas e normas em fóruns restritos; entretanto, essas diretrizes agora exigem aplicação prática, integração de dados e decisões estruturadas por parte das organizações.

Nesse contexto, o RH acelera sua própria metamorfose. Embora o setor já enfrentasse mudanças em seu papel, ele agora abandona definitivamente a posição de suporte passivo. Dessa forma, a área assume o protagonismo na sustentação da conformidade, da cultura e da continuidade operacional.

Além do mais, as empresas devem entender que a reforma tributária, o fim da DIRF e a aplicação da NR-1 não funcionam de forma isolada. Pelo contrário, essas variáveis se conectam através do cruzamento de informações e de responsabilidades compartilhadas. Por consequência, compreender o impacto dessas transformações na gestão de pessoas não representa mais uma mera vantagem competitiva. Em vez disso, tal compreensão torna-se uma necessidade operacional imediata para a sobrevivência do negócio.

Principais mudanças legais previstas para 2026

As mudanças legais de 2026 inauguram um novo modelo de funcionamento empresarial, visto que elas superam simples ajustes pontuais no ambiente regulatório. Nesse novo sistema, as obrigações fiscais, trabalhistas e de saúde ocupacional operam de forma totalmente integrada. Consequentemente, departamentos que antes mantinham certa independência agora compartilham informações de maneira contínua e obrigatória.

Diante desse cenário, a gestão de pessoas assume um papel ainda mais estratégico. Isso acontece porque os dados dos colaboradores originam a maior parte das informações que o governo monitora atualmente. Portanto, elementos como folha de pagamento, benefícios, afastamentos e vínculos contratuais sustentam a conformidade da organização.

Além disso, os indicadores de saúde ganham um peso central nas operações diárias. Dessa maneira, o impacto das novas leis molda tanto a rotina operacional quanto a tomada de decisões estratégicas. Em última análise, os gestores agora direcionam suas escolhas com base nessa nova realidade normativa.

NR-1: da teoria à prática na gestão de pessoas

A Norma Regulamentadora nº 1 inicia sua aplicação efetiva em 2026. Por consequência, essa diretriz amplia significativamente sua relevância para a gestão de pessoas, uma vez que consolida o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais como um processo contínuo. Nesse sentido, as empresas agora identificam, acompanham e tratam riscos de forma sistemática.

Sob a ótica do RH, essa mudança expande drasticamente o escopo de atuação do setor. Isso ocorre porque os gestores agora enquadram fatores psicossociais — como estresse, burnout e assédio — além das questões ergonômicas, no mesmo patamar dos riscos físicos ou técnicos. De fato, o comportamento organizacional, a postura das lideranças e a própria estrutura do trabalho diário moldam esses riscos diretamente.

Além disso, a NR-1 estabelece um elo direto entre saúde, segurança e benefícios. Dessa forma, a legislação agora interpreta os programas de saúde corporativa, os benefícios de bem-estar e as ações preventivas como ferramentas essenciais de mitigação. Em resumo, essas iniciativas deixam de ser opcionais e sustentam a proteção legal da organização.

Reforma tributária e impactos diretos no RH

Embora a reforma tributária seja frequentemente associada ao departamento fiscal, seus efeitos alcançam diretamente a gestão de pessoas. 

A mudança na estrutura tributária altera os custos operacionais, as margens e a previsibilidade financeira, o que influencia decisões sobre contratação, remuneração e benefícios.

À medida que os custos se transformam, o RH passa a participar ativamente de discussões estratégicas sobre a sustentabilidade da folha de pagamento e da estrutura de equipes. 

Políticas de remuneração precisam ser revistas com base no impacto financeiro real, enquanto benefícios passam a ser avaliados sob a ótica de custos, tributação e risco trabalhista.

Além disso, a reforma tributária reforça a necessidade de integração entre os sistemas. Dados de pessoas precisam dialogar com informações fiscais e financeiras de forma consistente. Sem essa integração, a empresa perde previsibilidade e aumenta a exposição a erros e inconsistências. 

Assim, o impacto das mudanças legais na gestão de pessoas se traduz em maior responsabilidade quanto à qualidade da informação.

O fim da DIRF e a lógica do dado contínuo

O fim da DIRF representa uma mudança estrutural na forma como as empresas lidam com informações trabalhistas e fiscais. A partir de 2026, as informações deixam de ser consolidadas anualmente e passam a ser enviadas continuamente por meio do eSocial e da EFD-Reinf. Para a gestão de pessoas, essa mudança exige um novo nível de maturidade operacional. 

Informações relacionadas a vínculos, remuneração, benefícios e afastamentos precisam estar corretas desde a origem. Qualquer inconsistência passa a ser detectada mais rapidamente, reduzindo a margem para ajustes posteriores.

Além disso,a lógica do dado contínuo reforça a importância de processos bem definidos e de monitoramento constante. O RH deixa de operar em ciclos anuais e passa a atuar em um modelo contínuo de controle e validação de informações. Dessa forma, a gestão de pessoas se aproxima ainda mais da gestão de dados e da governança da informação.

Novas exigências em saúde, segurança e benefícios

As novas exigências relacionadas à saúde, segurança e benefícios ampliam o impacto das mudanças legais na gestão de pessoas. A inclusão de riscos psicossociais na matriz de risco exige uma leitura mais aprofundada da cultura organizacional e das relações de trabalho.

Nesse cenário, os benefícios deixam de ser tratados apenas como ferramentas de atração e retenção. Eles passam a ser instrumentos de mitigação de risco, influenciando diretamente indicadores como afastamentos, sinistralidade e custos indiretos. 

Portanto, decisões sobre benefícios precisam ser baseadas em dados, alinhadas à NR-1 e integradas à estratégia de gestão de pessoas.

O papel estratégico do RH nesse novo cenário

Como já pautado diante dessas mudanças, o RH assume um papel ainda mais estratégico e, consequentemente, mais exposto.

Pois ele passa a ser responsável por conectar pessoas, dados, cultura e conformidade, garantindo que a empresa atenda às exigências legais sem comprometer a sustentabilidade do negócio. Além disso, o RH atua como agente de prevenção, antecipando riscos antes que se transformem em passivos legais ou financeiros. 

Essa atuação exige uma postura analítica, integrada e orientada por dados, reforçando a importância de processos estruturados e de ferramentas adequadas.

E se engana quem acha que a simultaneidade das mudanças legais em 2026 não reduz significativamente a margem para ações de contingência, em detrimento de ações planejadas. Empresas que tratam essas transformações como eventos isolados tendem a reagir sob pressão, corrigindo problemas à medida que surgem.

Por outro lado, organizações que se preparam com antecedência conseguem estruturar processos, integrar sistemas e alinhar cultura antes que a fiscalização se intensifique. A preparação antecipada permite ao RH atuar de forma proativa, reduzindo custos indiretos, evitando retrabalho e fortalecendo a previsibilidade operacional.

Tecnologia, dados e método como suporte à conformidade

Em um ambiente regulatório mais exigente, a gestão de pessoas precisa ser sustentada por tecnologia, método e integração. Plataformas de gestão de pessoas tornam-se essenciais para organizar dados, acompanhar riscos e garantir a coerência entre a prática e o registro.

Nesse contexto, o ecossistema da SER Performance atua como suporte estratégico ao RH, integrando informações sobre pessoas, desempenho, cultura e conformidade. Ao estruturar processos e centralizar dados, a plataforma contribui para decisões mais seguras e alinhadas às exigências legais.

As mudanças legais de 2026 já estão em curso e continuam a redefinir a gestão de pessoas nas empresas. A reforma tributária, o fim da DIRF e a aplicação prática da NR-1 exigem decisões estruturadas, integração de dados e maior maturidade operacional.

O próximo passo é claro. 

Revisar processos, integrar sistemas e apoiar a gestão de pessoas com tecnologia adequada deixou de ser um projeto futuro e passou a ser uma necessidade imediata.

Empresas que atuam agora reduzem riscos, ganham previsibilidade e sustentam suas operações em um cenário regulatório cada vez mais exigente.

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